Dezembro 03, 2003
AS CONFISSÕES DE LÚCIO, O LABORINHO
Sobe que sobe, Maria sobe
Sobe que sobe sobe a calçada
...............................................
.... ...............não deu por nada
Depois de terminar o Curso de Direito e, porque dinheiro não era o que mais abundava lá em casa, o meu pai perguntou-me:
- E agora, o que é que tu vais fazer?
- Agora. Agora vou trabalhar.
- Mas olha que nós não temos dinheiro para te comprar ou alugar um escritório.
- Não importa. Há mais trabalho no direito, para além de Advogar.
E foi assim que fui parar aos tribunais.
Como qualquer jovem em inicio de carreira, andei pela provincia, o que só me fez bem e, quando um dia tive o meu próprio dinheiro na primeira oportunidade, deixei-me levar pelo gosto das viagens e francófano confesso como sou e amante de Andé Breton e Mallrauxa, aterrei em Paris, França.
Já não sei como, soube da existência de uma reforma judiciária que os franceses estavam a levar a cabo, a qual constava de uma escola para formação de magistrados. Óptima ideia, pensei. É mesmo o que faz falta em Portugal.
Como ainda ninguém tinha pensado nisso, quando levei o projecto aos politicos, sem sequer me perguntarem de que partido era, compraram-mo. Compraram-mo é uma forma de dizer. Acreditaram no projecto e mandaram-me executá-lo para o que me nomearam director daquilo a que viria a ser o que ainda hoje é: o C.E.J. Centro de Estudos Judiciários.
Como é sabido, formar estudantes dá poder - todos os poderosos do futuro têm que passar pela escola -, mas formar os futuros magistrados? Já viram o pode que isso não dá!
E assim foi que, de repente e passados que eram somente dois ou três anos à frente da grande escola que era o CEJ, recebi op convite para Ministro. Sim e foi o próprio Cavaco quem mo fez. Como poderia eu dizer não?
Como não podia, não disse. É verdade, apesar de ser um homem de esquerda, mais própriamente um humanista, não consegui resistir ao apelo do poder e secalhar precepitadamente, de bom grado troquei a antiga cadeia do Limoeiro pelo Palácio do Ministéria da Justiça, na Praça do Comércio.
Com o meu voluntarismo de que hoje muito me arrependo, reconheço que ninguém ficou a ganhar.
Ora se ningúem ficou a ganhar é porque todos perdemos.
Perdi eu porque perdi a oportunidade de continuar a ser um homem importante, pelo que naturalmente assediado por todos os partidos;
Perdeu o PS, partido da oposição na altura como agora - será sina? - porque perdeu um bom candidato à pasta de Ministro da Justiça;
Perdeu o PSD porque apesar de ganhar um inistro, nunca ganhou um militante convicto;
Perdeu o País porque não ganhou um muito bom Ministro da Justiça
E perdeu o CEJ porque, modéstia à parte, perdeu um Directo competente.
E bem vistas as coisas de que me valeu ter sido Ministro da Justiça se até simples figurantes como o miúdo António Costa e agora a Srª Cardona já contam com isso no curriculum?
Valeu a pena ter cedido tão depressa à tentação? Hoje e humildemente, confesso que não.
E que pobreza franciscana é agora o meu pobre CEJ. De escola respeitada, onde só os melhores tinham ingesso transformo-se agora aquela minha querida escola numa agência de filhos de pessoa importantes em busca do primeiro emprego. Isso na melhor das hipóteses porque na pior e ao que me dizem logo a seguir o Leandro transformou o meu querido CEJ num Centro de cunhodependência. Ao que me dizem agora os Directores não deixam entrar ninguém com dois dedos de testa, pois só lá querem quem possam comandar à distância.
E de facto assim é. Quando por vezes e para matar saudades, vou por esse país fora e visito os tribunais, dou de caras com cada aventesma de beca vestida!
Com que leviandade deram a volta, ao glorioso principio do " Perfil". Agora o perfil serve para tudo. Se te perfilas é porque tens perfil, se te não perfilas é porque o não tens, logo não entras.
Assim definha o meu pobre CEJ, controlado pelos mangas de alpaca carreiristas, que debruçados à secretária vêm crescer a barriga à sombra e vêm de tal forma crescê-la, que deixaram de ver o resto.
Digam-me senhores politicos ou senhores responsáveis pela formação dos magistrados: como é possível que alunos com vários chumbos na Faculdade e sobretudo com vários chumbos nas provas de acesso, só por serem filhos de algo ou meninos e meninas dispostos a tudo lá tenham entrada assegurada?
Confesso que sinto vergonha de ter sido o pai daquela escola. Senhores políticos deste país: se a não podem mudar, fechem-a, mas acabem com aquele vergonha.
O Justiceiro
Sobe que sobe, Maria sobe
Sobe que sobe sobe a calçada
...............................................
.... ...............não deu por nada
Depois de terminar o Curso de Direito e, porque dinheiro não era o que mais abundava lá em casa, o meu pai perguntou-me:
- E agora, o que é que tu vais fazer?
- Agora. Agora vou trabalhar.
- Mas olha que nós não temos dinheiro para te comprar ou alugar um escritório.
- Não importa. Há mais trabalho no direito, para além de Advogar.
E foi assim que fui parar aos tribunais.
Como qualquer jovem em inicio de carreira, andei pela provincia, o que só me fez bem e, quando um dia tive o meu próprio dinheiro na primeira oportunidade, deixei-me levar pelo gosto das viagens e francófano confesso como sou e amante de Andé Breton e Mallrauxa, aterrei em Paris, França.
Já não sei como, soube da existência de uma reforma judiciária que os franceses estavam a levar a cabo, a qual constava de uma escola para formação de magistrados. Óptima ideia, pensei. É mesmo o que faz falta em Portugal.
Como ainda ninguém tinha pensado nisso, quando levei o projecto aos politicos, sem sequer me perguntarem de que partido era, compraram-mo. Compraram-mo é uma forma de dizer. Acreditaram no projecto e mandaram-me executá-lo para o que me nomearam director daquilo a que viria a ser o que ainda hoje é: o C.E.J. Centro de Estudos Judiciários.
Como é sabido, formar estudantes dá poder - todos os poderosos do futuro têm que passar pela escola -, mas formar os futuros magistrados? Já viram o pode que isso não dá!
E assim foi que, de repente e passados que eram somente dois ou três anos à frente da grande escola que era o CEJ, recebi op convite para Ministro. Sim e foi o próprio Cavaco quem mo fez. Como poderia eu dizer não?
Como não podia, não disse. É verdade, apesar de ser um homem de esquerda, mais própriamente um humanista, não consegui resistir ao apelo do poder e secalhar precepitadamente, de bom grado troquei a antiga cadeia do Limoeiro pelo Palácio do Ministéria da Justiça, na Praça do Comércio.
Com o meu voluntarismo de que hoje muito me arrependo, reconheço que ninguém ficou a ganhar.
Ora se ningúem ficou a ganhar é porque todos perdemos.
Perdi eu porque perdi a oportunidade de continuar a ser um homem importante, pelo que naturalmente assediado por todos os partidos;
Perdeu o PS, partido da oposição na altura como agora - será sina? - porque perdeu um bom candidato à pasta de Ministro da Justiça;
Perdeu o PSD porque apesar de ganhar um inistro, nunca ganhou um militante convicto;
Perdeu o País porque não ganhou um muito bom Ministro da Justiça
E perdeu o CEJ porque, modéstia à parte, perdeu um Directo competente.
E bem vistas as coisas de que me valeu ter sido Ministro da Justiça se até simples figurantes como o miúdo António Costa e agora a Srª Cardona já contam com isso no curriculum?
Valeu a pena ter cedido tão depressa à tentação? Hoje e humildemente, confesso que não.
E que pobreza franciscana é agora o meu pobre CEJ. De escola respeitada, onde só os melhores tinham ingesso transformo-se agora aquela minha querida escola numa agência de filhos de pessoa importantes em busca do primeiro emprego. Isso na melhor das hipóteses porque na pior e ao que me dizem logo a seguir o Leandro transformou o meu querido CEJ num Centro de cunhodependência. Ao que me dizem agora os Directores não deixam entrar ninguém com dois dedos de testa, pois só lá querem quem possam comandar à distância.
E de facto assim é. Quando por vezes e para matar saudades, vou por esse país fora e visito os tribunais, dou de caras com cada aventesma de beca vestida!
Com que leviandade deram a volta, ao glorioso principio do " Perfil". Agora o perfil serve para tudo. Se te perfilas é porque tens perfil, se te não perfilas é porque o não tens, logo não entras.
Assim definha o meu pobre CEJ, controlado pelos mangas de alpaca carreiristas, que debruçados à secretária vêm crescer a barriga à sombra e vêm de tal forma crescê-la, que deixaram de ver o resto.
Digam-me senhores politicos ou senhores responsáveis pela formação dos magistrados: como é possível que alunos com vários chumbos na Faculdade e sobretudo com vários chumbos nas provas de acesso, só por serem filhos de algo ou meninos e meninas dispostos a tudo lá tenham entrada assegurada?
Confesso que sinto vergonha de ter sido o pai daquela escola. Senhores políticos deste país: se a não podem mudar, fechem-a, mas acabem com aquele vergonha.
O Justiceiro
Novembro 24, 2003
Instrumentalização da Justiça
Queixava-se há dias ao Jornal O Público o Sr. Procurador Geral da República, Dr. Souto Moura - com bastante a propósito também apelidado de " gato constipado" - , que o PS instrumentalizava a Justiça. Isto é, politizava-a. Isto é, usava-a para fins politicos e em seu proveito próprio.
Vindo de outro qualquer agente Judiciário a questão até poderia ter a sua pertinência, mas vinda do Sr. em questão!!!
Então sua Exª não sabia quando aceitou o cargo que o seu cargo é um cargo de nomeação política?
Então o Sr. não sabia que para cargos de nomeação política só se nomeiam pessoas de confiança política?
Então e o Sr. não sabia que pessoas de confiança poítica são aquelas que é suposto não trairem os políticos e fazerem aquilo que eles lhes mandam?
O Sr. Procurador Geral da República descobriu-se de repente vítima daqueles que nele confiaram. E não se calou. Veio a terreiro dizer: Acudam que os Srs. que me nomearam querem cobrar da nomeação!!!
É óbvio que quando o Sr. Ministro da Justiça, o Socialista Dr. António Costa o escolheu V. Exª não pensou certamente que a escolha caiu em si apenas pelo seu ar frágil de gato constipado. Também não deve ter sido pelo seu curriculum como é óbvio, pois tal como muitos outros o seu curriculum não é bom nem é mau. Não Sr. Procurador Geral, não foi por isso que o Sr. foi escolhido. O Sr. por muito que lhe custe admiti-lo, foi escolhido por lhes parecer, aos socialistas, fácilmente manipulável. Enganaram-se os Socialistas em relação ao Sr? Certamente que sim, pois nota-se bem que não quer ser manipulado. Faz, bem Sr. Procurador, faz bem. Mas quem nos garante a nós, que não percebemos nada de politica que o não fizeram mesmo, isto é, que não o manipularam enquanto com eles cohabitou? Uma dúvida legítima com que ficaremos para sempre Sr. Procurador Geral, uma dúvida legítima.
Não deixe que os Socialistas o manipulem Sr. Procurador. Aliás não deixe também que os Sociais-Democratas e o Dr. Portas o manipulem. A dúvida é se, quando os Sociais Democratas saírem e o Sr. ficar - não tem que sair com eles pois não foram eles que o nomearam -, a dúvida é saber se a seguir, o Sr. não virá dizer que os Sociais Democratas, ou, e porque não, os Populares o querem ou quiseram manipular, isto é politizar a Justiça, da qual e nisso nós acreditamos piamente, o Sr. Procurador Geral é o fiel garante.
O Justiceiro
" UMA POR SEMANA "
Não, não é o que já estão a pensar, seus prevertidos crónicos.
É uma crónica por semana, pois este meu blog é um blog semanário.
Não me deixam escrever nos jornais? Então também não quero. Escrevo aqui, pois aqui, que é em todo o lado e em lado nenhum, quer dizer, basta a net e a minha imaginação, posso dizer tudo o que quizer sem ter que fazer fretes a ninguém com a vantagem de também não ter censura. E claro que, como tudo, isto de ser bloguista, não são só vantagens. Tem desvantagens sim senhores e a maior e mais injusta é que ninguém me paga nada. Deve ser essa a grande diferença entre dizer o que se pensa e escrever o que nos mandam dizer isto é, entre ser jornalista e bloguista: O que nos pagam. Deve ser esse o preço da Independencia. Não nos pagarem nada.
Não me pagam nada, também não me cobram nada. Negócio fechado.
Apareço como Justiceiro porque ja todos percebemos que neste pais quem diz a verdade merece castigo. Mas a verdade e como o azeite. Vem sempre ao de cima. E se na maior parte da vezes nos entra pelos olhos dentro, porque é que nos querem tapar os olhos?
Já chegaram as mordaças do Salazar e da PIDE.
Se vivemos numa democracia!!! entao eu, que tanto lutei por ela, apesar de não ter poder nenhum a nao ser a inteligência que deus me deu e estes que a terra há-de comer, tambem quero dizer de minha justiça.
Quem não quiser que me não leia; Quem não gostar que me não coma, mas quem quiser e gostar, siga o cherne...
Vim para ficar e vou dar-vos uma por semana.
Uma crónica, seus depravados.
O Justiceiro
Queixava-se há dias ao Jornal O Público o Sr. Procurador Geral da República, Dr. Souto Moura - com bastante a propósito também apelidado de " gato constipado" - , que o PS instrumentalizava a Justiça. Isto é, politizava-a. Isto é, usava-a para fins politicos e em seu proveito próprio.
Vindo de outro qualquer agente Judiciário a questão até poderia ter a sua pertinência, mas vinda do Sr. em questão!!!
Então sua Exª não sabia quando aceitou o cargo que o seu cargo é um cargo de nomeação política?
Então o Sr. não sabia que para cargos de nomeação política só se nomeiam pessoas de confiança política?
Então e o Sr. não sabia que pessoas de confiança poítica são aquelas que é suposto não trairem os políticos e fazerem aquilo que eles lhes mandam?
O Sr. Procurador Geral da República descobriu-se de repente vítima daqueles que nele confiaram. E não se calou. Veio a terreiro dizer: Acudam que os Srs. que me nomearam querem cobrar da nomeação!!!
É óbvio que quando o Sr. Ministro da Justiça, o Socialista Dr. António Costa o escolheu V. Exª não pensou certamente que a escolha caiu em si apenas pelo seu ar frágil de gato constipado. Também não deve ter sido pelo seu curriculum como é óbvio, pois tal como muitos outros o seu curriculum não é bom nem é mau. Não Sr. Procurador Geral, não foi por isso que o Sr. foi escolhido. O Sr. por muito que lhe custe admiti-lo, foi escolhido por lhes parecer, aos socialistas, fácilmente manipulável. Enganaram-se os Socialistas em relação ao Sr? Certamente que sim, pois nota-se bem que não quer ser manipulado. Faz, bem Sr. Procurador, faz bem. Mas quem nos garante a nós, que não percebemos nada de politica que o não fizeram mesmo, isto é, que não o manipularam enquanto com eles cohabitou? Uma dúvida legítima com que ficaremos para sempre Sr. Procurador Geral, uma dúvida legítima.
Não deixe que os Socialistas o manipulem Sr. Procurador. Aliás não deixe também que os Sociais-Democratas e o Dr. Portas o manipulem. A dúvida é se, quando os Sociais Democratas saírem e o Sr. ficar - não tem que sair com eles pois não foram eles que o nomearam -, a dúvida é saber se a seguir, o Sr. não virá dizer que os Sociais Democratas, ou, e porque não, os Populares o querem ou quiseram manipular, isto é politizar a Justiça, da qual e nisso nós acreditamos piamente, o Sr. Procurador Geral é o fiel garante.
O Justiceiro
" UMA POR SEMANA "
Não, não é o que já estão a pensar, seus prevertidos crónicos.
É uma crónica por semana, pois este meu blog é um blog semanário.
Não me deixam escrever nos jornais? Então também não quero. Escrevo aqui, pois aqui, que é em todo o lado e em lado nenhum, quer dizer, basta a net e a minha imaginação, posso dizer tudo o que quizer sem ter que fazer fretes a ninguém com a vantagem de também não ter censura. E claro que, como tudo, isto de ser bloguista, não são só vantagens. Tem desvantagens sim senhores e a maior e mais injusta é que ninguém me paga nada. Deve ser essa a grande diferença entre dizer o que se pensa e escrever o que nos mandam dizer isto é, entre ser jornalista e bloguista: O que nos pagam. Deve ser esse o preço da Independencia. Não nos pagarem nada.
Não me pagam nada, também não me cobram nada. Negócio fechado.
Apareço como Justiceiro porque ja todos percebemos que neste pais quem diz a verdade merece castigo. Mas a verdade e como o azeite. Vem sempre ao de cima. E se na maior parte da vezes nos entra pelos olhos dentro, porque é que nos querem tapar os olhos?
Já chegaram as mordaças do Salazar e da PIDE.
Se vivemos numa democracia!!! entao eu, que tanto lutei por ela, apesar de não ter poder nenhum a nao ser a inteligência que deus me deu e estes que a terra há-de comer, tambem quero dizer de minha justiça.
Quem não quiser que me não leia; Quem não gostar que me não coma, mas quem quiser e gostar, siga o cherne...
Vim para ficar e vou dar-vos uma por semana.
Uma crónica, seus depravados.
O Justiceiro